Se o VAR fosse a solução para todos os erros, o Porto estaria confortavelmente isolado na liderança

04 janeiro 2018
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Momento em que Danilo sofre falta de Amilton, dentro da área. Uma grande penalidade que o árbitro não marcou.
Texto publicado no dia 2 de Janeiro no site ESPN FC Brasil, numa altura em que se discute a possível implementação do VAR no campeonato brasileiro.

 

No Brasil, tem se discutido muito a implementação do árbitro de vídeo (VAR, do inglês video assistant referee) no Campeonato Brasileiro. O uso do mecanismo no auxílio à arbitragem, entretanto, não acaba com as polêmicas e muito menos garante justiça nas decisões e, consequentemente, nos resultados dos jogos. Afinal, o VAR é só mais um filtro humano na interpretação de lances duvidosos. Ou seja, o VAR não corrige as falhas inerentes aos seres humanos responsáveis pelas decisões. Se os árbitros são ruins, o VAR também será ruim. O FC Porto que o diga. Ao fim de 15 rodadas disputadas na Liga Portuguesa, o clube azul e branco poderia estar sete pontos à frente do Sporting e dez à frente do Benfica. Mas, na tabela classificativa, graças a erros de arbitragem (e do VAR), os portistas somam os mesmos 39 pontos dos Leões e têm apenas três pontos a mais que os encarnados.

Como se sabe, a Liga Portuguesa é uma das competições que tem experimentado o VAR na temporada 2017/18. E a implantação do mecanismo tem exposto o baixo nível da arbitragem portuguesa. Tanto dos árbitros de campo, como dos árbitros escalados para atuarem como responsáveis do recurso de vídeo. São vários os erros cometidos, alguns deles com impacto direto nos resultados dos jogos e, consequentemente, na classificação do campeonato.

O Porto tem sido extremamente prejudicado. De acordo com o jornal esportivo O Jogo, os portistas não tiveram marcados a seu favor cinco pênaltis na atual edição da Liga. O jornal tem um painel chamado “Tribunal d’O Jogo” e levou em consideração apenas as opiniões unânimes dos três ex-árbitros que compõem o tal “Tribunal”. Destes cinco pênaltis não assinalados para os Dragões, dois deles custaram quatro pontos.

Contra o Aves, o árbitro não marcou um pênalti escandaloso sobre Danilo aos 45 minutos do segundo tempo. Um lance tão indiscutível que não foi unanimidade apenas entre os três ex-árbitros que fazem parte do “Tribunal d’ O Jogo”, mas entre todos os comentaristas de arbitragem dos jornais Record e A Bola, bem como do canal Sport TV. O Porto ficou no 1x1 e perdeu dois pontos na véspera do clássico em que receberia o Benfica no Dragão. Esse episódio gerou ainda mais polêmica quando o Benfica, através de uma conta fechada no Twitter (restrita a jornalistas que enviam solicitação ao clube via email), publicou um vídeo em que supostamente não havia o toque faltoso de Amilton sobre Danilo. Posteriormente, a CMTV fez reportagem mostrando que o vídeo dos encarnados havia sido manipulado (um frame foi cortado).

Logo na rodada seguinte, o Porto enfrentou o Benfica. No clássico ficaram dois pênaltis por marcar a favor dos azuis e brancos (mão de Luisão na área e falta de Jardel sobre Marega) e houve ainda um impedimento de Aboubakar mal assinalado, que invalidou o gol marcado por Herrera. Destes três erros, surgem duas questões. A primeira, por que o VAR não atuou nos lances de pênalti contra o Benfica? A segunda, por que o árbitro, em um lance duvidoso (suposto impedimento), não esperou pela conclusão da jogada e a consequente intervenção do VAR? Se a arbitragem não tivesse assinalado o impedimento, o gol teria existido e, em caso de irregularidade, aí sim o VAR teria intervindo. O jogo ficou 0x0, o Porto perdeu dois pontos e o Benfica ganhou um ponto.

Até aqui, já temos o Porto prejudicado em quatro pontos perdidos e o Benfica beneficiado em um ponto ganho. Ou seja, a diferença entre Dragões e Águias seria de oito pontos e não de apenas três, enquanto a distância para o Sporting seria de quatro pontos ao invés da igualdade pontual, como é atualmente. Agora, vamos a outros erros que beneficiaram os dois rivais.

Comecemos pelo Sporting, que divide a liderança com o Porto. Pois bem, na 10ª rodada os sportinguistas foram a Vila do Conde encarar o Rio Ave. Aos 40 minutos do segundo tempo, Bas Dost marcou o único gol do confronto. O atacante holandês estava em impedimento (opinião unânime do “Tribunal d’O Jogo”), mas o VAR não interveio e o gol foi validado. Seriam dois pontos a menos para o Sporting e a diferença para o Porto já seria de seis.

Na rodada seguinte os Leões receberam o Braga em Alvalade. Quando o jogo ainda estava 0x0, Fransérgio abriu o placar. O gol, contudo, foi anulado. O árbitro Carlos Xistra, por indicação de um dos seus assistentes, marcou impedimento. Entretanto, o meia dos bracarenses estava em posição legal. Assim como no caso do gol de Herrera contra o Benfica, o lance de Fransérgio foi decidido pelo árbitro antes da bola entrar na barra sportinguista. Ou seja, impossível de ser analisado pelo VAR.

O árbitro de vídeo, porém, poderia e deveria ter intervindo no lance perto do fim do encontro que culminou no pênalti a favor dos Leões e que deu o empate de 2x2. Doumbia fez falta sobre Ricardo Ferreira. O árbitro não marcou. O VAR se omitiu. A jogada seguiu e houve o pênalti favorável ao Sporting que, graças a isso, somou um ponto. Portanto, a diferença entre Porto e Sporting deveria ser de sete pontos.

Em relação ao Benfica, nem vou me alongar sobre o impedimento mal marcado contra o Braga que anulou um gol dos bracarenses (já que o jogo ficou 3x1 para os benfiquistas), nem sobre a curiosa falha de comunicação entre VAR e trio de arbitragem no jogo Aves x Benfica, que aconteceu justamente no momento em que os benfiquistas fizeram um gol em lance antecedido por falta (que poderia ter sido invalidado por intervenção do VAR). Falemos, então, do jogo com o Portimonense.

Este jogo ficou célebre pela atuação do VAR Fábio Veríssimo. Aos 43 minutos do segundo tempo, Fabrício marcou o 2x2 para o Portimonense em pleno estádio da Luz. O lance, entretanto, foi invalidado após intervenção do VAR. “Aguenta, aguenta, aguenta”, disse Fábio Veríssimo para o árbitro de campo ao se dar conta do impedimento no início da jogada. O mesmo árbitro de vídeo que viu mal o impedimento do Braga contra o Benfica, desta vez viu muito bem a irregularidade no empate do Portimonense.

Curiosamente, o VAR não foi capaz de mudar uma decisão equivocada do árbitro. Aos 14 minutos do segundo tempo, quando o jogo estava 1x0 para os visitantes, Salvio se atirou dentro da área. O árbitro caiu na simulação do argentino. Marcou pênalti e ainda mostrou o vermelho direto para Hackman, reduzindo o Portimonense a 10 jogadores. O “Tribunal d’O Jogo” foi unânime: pênalti inexistente, expulsão equivocada. O VAR se omitiu. Dois pontos a mais para o Benfica. A diferença para o Porto seria, portanto, 10 e não apenas três pontos.

 

Classificação atual:

FC Porto 39
Sporting 39
Benfica 36

 

Classificação sem erros:

FC Porto 43
Sporting 36
Benfica 33

 

Em suma, não se iludam com o VAR. O recurso não faz milagre. E pode servir, como no caso da Liga Portuguesa, para expor ainda mais o baixo nível da arbitragem no país. No caso português, em indiscutível prejuízo para o Porto.

 

Fonte: espnfcbrasil

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