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António Oliveira recorda últimas palavras de Pavão: “Vai, miúdo”

+FCPorto 3 meses ago

“Sinto-me um privilegiado por falar de um jogador desta dimensão. O Pavão foi o meu primeiro colega de quarto, quando comecei no F. C. Porto, juntamente com o Custódio Pinto, infelizmente também já desaparecido”, começou por dizer o antigo jogador dos azuis e brancos e da seleção nacional.

“Foi sempre uma grande referência para mim, pelo trato, pelas características, pelo que jogava, pela raça: O Pavão era Porto, mesmo sendo de Trás-os-Montes. Foi o primeiro grande capitão que o F. C. Porto teve e, a partir daí, as coisas ficaram mais facilitadas, precisamente porque ele passou essa mensagem”, acrescentou António Oliveira, no final da cerimónia que decorreu no Museu do Dragão, antes de recordar o que se passou no Estádio das Antas naquela tarde de 16 de dezembro de 1973.  

“Ainda hoje vivem comigo as suas últimas palavras, que foram para mim: ‘Vai, miúdo’. Isto martela-me até hoje, por uma pessoa que eu nunca poderei esquecer. O miúdo foi e quando chegou à linha de fundo, vi que toda a gente tinha parado no relvado. Ao início não me apercebi do que se estava a passar e, depois, não me lembro de nada. Curiosamente, fui a primeira pessoa a saber que o Pavão tinha falecido. O sr. Doutor Vitorino Santana deu-me a notícia ao intervalo, pediu para não contar, mas eu não consegui conter as lágrimas e não podia viver sozinho aquele drama”, destacou o treinador bicampeão pelos azuis e brancos.  

“Não é qualquer jogador que tem um busto e está representado no Museu do F. C. Porto. Não era por ser bonito, ou feio, é porque ele encarnou o verdadeiro portismo, o ADN do clube, numa época extremamente difícil. Era o único do F. C. Porto a ir à seleção e isso, naquela altura, mostrava bem a qualidade que tinha”, defendeu António Oliveira,  que não tem quaisquer dúvidas em afirmar que Pavão seria uma estrela no futebol moderno.    

“Hoje em dia, ele jogava, jogava, jogava. É pena que não haja muitas imagens em vídeo para que a nova geração perceba o que é ser Pavão, o que é ser F. C. Porto e estou a dizer isto por ser verdade, não para estar a engraxar ninguém. Foi sempre a minha referência, um grande capitão, e hoje jogaria em qualquer parte do Mundo, em qualquer equipa – e não digo que jogaria num grande europeu, porque o F. C. Porto é um dos grandes, mas não tenho qualquer dúvida que seria uma das maiores transferências da história”, finalizou António Oliveira.

Fonte: jn.pt