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Fernando Gomes: “Negócio com a Legends vai dar grande mais-valia ao F. C. Porto”

+FCPorto 3 meses ago

Fernando Gomes, administrador financeiro do F. C. Porto, em entrevista ao JN, reconhece que a SAD tem de resolver rapidamente a questão dos capitais próprios negativos em 175,9 milhões de euros e que a solução já está encontrada. Promete que esta situação estará resolvida até ao final do ano, nas contas do primeiro semestre, que terminam em dezembro. O acordo com a norte-americana Legends é peça fulcral. 

Pinto da Costa afirmou na terça-feira, numa entrevista à SIC, que em dezembro a SAD pretende apresentar contas positivas (47,6 milhões de prejuízo a 30 de junho) e capitais próprios positivos ou perto disso (175,9 negativos a 30 de junho) no final do primeiro semestre de 2023/04. Pode esclarecer como será possível atingir estas duas metas?

É preciso explicar primeiro por que razão a SAD do F. C. Porto apresentou, a 30 de junho, um resultado tão negativo, quando os principais rivais apresentaram resultados positivos. Foi uma situação assumida e controlada pela administração porque, pela primeira vez, 30 de junho deixou de ser a data limite para apresentar contas à UEFA. As empresas que tenham capitais próprios negativos passam a ter até 31 de dezembro para apresentar uma reversão de pelo menos 10% desses capitais próprios, numa perspetiva de inscrição nas competições europeias. Depois, aconteceu o caso Otávio, que tinha uma cláusula de rescisão de 40 milhões de euros até 15 de julho e de 60 milhões a partir desse dia. O presidente conseguiu manter o diálogo com o jogador, corremos o risco de o Al Nassr se desinteressar, mas eles voltaram à carga já perto do fecho da janela de transferências e ofereceram os 60 milhões que nós considerávamos indispensáveis. Se tivéssemos feito essa venda antes, teríamos melhorado muito os resultados do exercício.

Mas até que ponto as contas serão positivas a 31 de dezembro?

Só a venda do Otávio tem um impacto de 40 milhões. Depois, as receitas de participação na Champions League só são contabilizadas agora. E temos outras perspetivas, que são a de um grande negócio com uma multinacional ligada aos estádios norte-americanos, que vai valorizar imenso o F. C. Porto. Trata-se de uma grande empresa, que vai partilhar connosco o upgrade do Estádio do Dragão e a sua valorização.

Pode revelar o valor exato desse negócio com a Legends?

Não posso declará-lo neste momento porque assinámos um contrato de confidencialidade. Mas deixo-vos a ideia de que vai ser um negócio que vai valorizar imenso o nosso ativo e os resultados dos nossos capitais próprios. Desta vez, não tem nada a ver com futebol ou jogadores. Tem a ver com tudo o que são negócios do F. C. Porto, nomeadamente a Porto Comercial.

É uma espécie de concessão?

Não. A Porto Comercial continuará a ser gerida pelo F. C. Porto. Eles serão nossos parceiros minoritários. E depois, por via disso, vamos conseguir aqui uma grande mais-valia que, no final do ano, estaremos em condições de tornar pública.

É mesmo possível reverter quase 176 milhões de capitais próprios negativos até ao fim do ano?

Sim, é possível, como poderão verificar na altura.

Foi anunciado que o contrato com a Legends terá a duração de 15 anos. Há aqui algum tipo de antecipação da receita global?

Não. Há uma entrada de capital numa sociedade, que não é uma antecipação de receitas nenhuma, e esse capital vai, com certeza, constituir uma mais-valia para o F. C. Porto sob o ponto de vista financeiro e dos capitais próprios.

Concorda com a ideia de que os capitais próprios negativos, que têm vindo a aumentar (25 milhões positivos há sete anos), são usados pelos críticos da SAD como arma de arremesso e de que a avaliação por baixo do plantel (85,4 milhões) torna essa questão menos relevante?

Em qualquer empresa que não seja de futebol, os ativos são o valor maior. Se eu vendo automóveis, a cada ano que passa sem os vender eles valem menos. No futebol, os jogadores a cada ano que passa podem valer mais, a menos que estejam no fim do contrato e nessa altura saem a custo zero. No F. C. Porto, os ativos estão subvalorizados. O presidente disse na terça-feira que há dois anos vendeu um jogador por 40 milhões que no balanço estava a zero. Foi o Vitinha. No Transfermarkt, que é uma espécie de bolsa de jogadores, o plantel do F. C. Porto está avaliado em 290 milhões. No nosso balanço, vale 85. Bastava isto, esta diferença de 200 milhões, e já estávamos com capitais próprios positivos. O que quero dizer é que é difícil lidar com capitais próprios negativos, mas no futebol é ligeiramente diferente porque há essa almofada.

Qual a razão para os capitais próprios se terem tornado tão negativos?

São azedamente negativos. Na época 2019/20, o F. C. Porto não vendeu nenhum jogador até 30 de junho. No campeonato seguinte, aconteceu a pandemia e ficámos sem receitas, sem poder transacionar jogadores, porque o mercado fechou completamente. No exercício de 2019/20, apresentámos um prejuízo de 116 milhões. Para nós, a covid foi muito má, muito pior do que para os nossos adversários. A partir daí, a atividade económica e financeira tornou-se bastante mais difícil, mas conseguimos resistir, sem procurar vender e desmantelar a equipa.

Os capitais próprios são a principal fonte de preocupação da SAD?

São uma dificuldade, a partir de agora são também uma dificuldade legal, junto da UEFA. E por isso nós, sabendo que isto ia acontecer, preparámo-nos. Já nos estávamos a preparar antes das decisões da UEFA, porque é difícil manter capitais próprios tão profundamente negativos. A partir de agora, temos dois objetivos: resolver o problema e não cair na dificuldade de acesso às competições europeias. Se nada de drástico acontecer, não vai haver problemas nenhuns e, pelo contrário, eu espero que quando apresentarmos as contas de dezembro, que será lá para finais de janeiro, já teremos esta situação perfeitamente clara.

Outra questão tem a ver com o passivo, que subiu para 522 milhões de euros, o mais alto de sempre. É verdade que quase 300 milhões da dívida têm de ser pagos neste exercício?

Não é verdade. Em primeiro lugar, grande parte desse passivo não é passivo normal, entendido como tal pelas pessoas que lêem rapidamente as contas ou têm menos informação. Por exemplo, os direitos televisivos. O F. C. Porto chegou a antecipar cerca de 100 milhões de euros, que tem vindo a abater. Mas quando se adianta o dinheiro, aparece a dívida correspondente. Se a Altice, por qualquer razão, um dia faltasse aos pagamentos, quem tinha de responder era o F. C. Porto. À medida que se vai abatendo, isso aparece sempre como dívida. Vendemos um jogador por 45 milhões, mas do outro lado ficou uma dívida para o dinheiro que antecipámos. Recebemos cinco milhões a pronto e 40 descontámos num banco. O que aparece é que o jogador foi vendido por 45, mas nós estamos a dever 40. Esses 40 estão garantidos pelo dinheiro que o clube que comprou o jogador vai pagar. São as chamadas operações com recurso. Grande parte deste passivo está seguro por receitas, que, no fundo, são uma garantia de pagamento, ou pelo clube a quem vendemos ou a quem cedemos os direitos televisivos, neste caso a Altice.

E o restante passivo?

Esse sim, é responsabilidade direta e não tem garantia de receitas nenhuma que não sejam as receitas globais do F. C. Porto. É o caso dos empréstimos obrigacionistas. Isso é dívida pura e o F. C. Porto tem vindo sempre a cumprir. Ainda agora pagou 26 milhões de euros do que vencia e pagou os juros. Esse passivo é preocupante, deve manter-nos atentos, mas tem um programa de diminuição. A operação de que falei anteriormente vai permitir uma entrada líquida de capital e diminuir parte do passivo, para pagarmos o que é mais urgente.

Para questões de fair play financeiro, era preferível que a UEFA tivesse mantido a data limite de 30 de junho?

É indiferente. Penso que a mudança foi para ganhar tempo e para as sociedades se poderem adaptar. Ser a 31 de dezembro permite esgotar a janela de verão. O mês de junho não é o melhor para fazer transações de jogadores e obter mais-valias. Tem a ver com a sazonalidade dos negócios do futebol. Até 30 de junho, só tivemos mais-valias com as vendas do Diogo Leite e do Francisco Conceição, num total de 13,8 milhões. Em aquisições, gastámos 43 milhões.

Em julho, disse que o F. C. Porto não corria o risco de voltar a ficar sob a alçada da UEFA. Essa situação mudou?

Não. Neste momento, não há esse risco. O risco que há é se não cumprirmos a melhoria dos capitais próprios em 10%. Vamos cumprir e, espero eu, com alguma folga.

Rui Oliveira/Global Imagens

A futura academia do F. C. Porto, que segundo Pinto da Costa tem os projetos feitos e as questões burocráticas quase resolvidas, será financiada pela Legends?

A Legends ficou com a possibilidade de negociar os “namings” de todos os equipamentos de futebol do F. C. Porto. Portanto, podem e vão usar a academia com um “naming” negociado por eles, mas não tem a ver com financiamento. A esse nível, há um programa em curso com uma entidade privada, que constrói e tem essa responsabilidade. O F. C. Porto estará lá para ocupar as instalações quando estiverem prontas. Não é um investimento que vamos pagar. O presidente não falou em datas para ter as máquinas no terreno. Se não for até ao final deste ano, será no início do próximo, claramente a tempo de ele tomar a decisão se quer ou não candidatar-se.

Há algum tempo que o “naming” do Estádio do Dragão está em cima da mesa. O valor de cinco ou seis milhões de euros por ano parece-lhe ajustado?

Já houve uma negociação, antes da pandemia, e um acordo quase fechado com uma marca. Tínhamos a viagem marcada, mas depois surgiu a covid e essa possibilidade caiu. Na altura, esteve praticamente fechado por seis milhões. Agora, é o mercado que vai ditar as regras. Vamos ver qual é a capacidade que os nossos parceiros têm de valorizar o “naming”. Eles têm o direito de exploração desse negócio.

Fechadas as contas do primeiro semestre, o F. C. Porto terá de vender jogadores em janeiro?

O presidente já disse que não vai vender, mas abriu ali um parêntesis. O desejável é não ter de vender. Se um clube chegar aqui e bater a cláusula de rescisão de um jogador, é impossível ao F. C. Porto resistir. Neste momento, a administração não tem nos planos a decisão de dizer que, abrindo o mercado, temos de vender. Isso não está em cima da mesa. Se não passarmos aos oitavos de final da Champions, claro que isso traria preocupações acrescidas. Mas nós estamos a contar com o apuramento.

Taremi está em fim de contrato e poderá sair a custo zero em junho. Transferi-lo em janeiro seria preferível, na perspetiva da SAD?

Eu só posso falar como responsável financeiro e como um dos membros da Administração. Há outras vertentes. Cabe ao treinador, que é sempre ouvido nesse processo, tomar posição em relação a isso. A questão das transferências dos jogadores é quase exclusiva do presidente. Ele decide e nós, normalmente, acompanha-mo-lo. Podemos aconselhar, podemos falar, mas a estratégia do futebol é sem dúvida pelouro do presidente. Vamos ver o que o mercado nos reserva.

A saída de jogadores a custo zero é uma tendência do futebol europeu que tem saído particularmente cara ao F. C. Porto?

Vai continuar a acontecer, sobretudo quando aparecem propostas absolutamente insensatas. Foi o que sucedeu com o Atlético de Madrid e o Herrera. Para podermos ficar com ele, tínhamos de lhe dar condições de vencimento e de prémios incomportáveis. Era uma bola de neve para o resto da equipa.

A SAD do F. C. Porto tem sido acusada de não antecipar essas situações, ou seja, de não renovar com jogadores antes de eles chegarem ao último ano de contrato…

Temos tentado fazer isso, sempre, desde que cá estou. Mas não se pode renovar contratos três ou quatro anos antes. Quando o tentamos fazer, logo os agentes e os jogadores se movimentam para arranjar uma alternativa que, por norma, dificulta muito as coisas. A regra é antecipar. Excecionalmente, pode não acontecer quando os valores não são comportáveis.

Se houver uma saída de um jogador importante em janeiro, a SAD tem capacidade financeira para colmatá-la?

Tem de haver, mas mal seria que o F. C. Porto fosse ter uma despesa maior a curto prazo do que o valor que lhe rende a transferência. Pode ser a longo prazo, pagando em vários anos. A curto prazo, não se vai vender por 10 e comprar por 20, sobretudo numa altura em que não se está com folga financeira.

Na próxima época, só uma equipa portuguesa vai diretamente à Liga dos Campeões, num ano em que a prova vai mudar e proporcionará maiores receitas. Que consequências haverá para o F. C. Porto caso não consiga qualificar-se?

Serão as mesmas consequências que haverá para qualquer clube português. Não ir à Champions significa que vai ter de haver um plano B. O que está em causa são valores muito altos, que terão um efeito de arrastamento e vão inflacionar o mercado. Quem não for, fica mais debilitado e numa situação de inferioridade relativamente aos outros.

Esse plano B já está delineado na SAD do F. C. Porto?

Sim. Mas com tranquilidade, com calma. Como se viu agora com os capitais próprios negativos, os planos existem e realizam-se. Não podemos andar aqui a brandir campainhas por todos os lados.

Rui Oliveira/Global Imagens

Que importância é que atribui ao período eleitoral que se vai viver no F. C. Porto e que já tem marcado a atualidade do clube nas últimas semanas?

Com certeza que perturba. Perturba os sócios, os investidores, as empresas que lidam com o F. C. Porto. Sobretudo numa altura em que ainda estamos quase só a falar de possíveis candidatos. Tem de haver bom senso. Caso contrário, arriscamos que o F. C. Porto, como um todo, seja prejudicado, independentemente de quem ganhe as eleições. As pessoas não podem pensar que quanto pior, melhor. Dizer mal por dizer é criar dificuldades à organização, à SAD, à empresa, ao clube, que podem custar a sarar. Quando falo em sarar, faço do ponto de vista económico e financeiro. Podem trazer consequências a quem confia no F. C. Porto, a quem está disposto a apostar no F. C. Porto.

O negócio com a Legends pode ficar em perigo?

Não, porque o princípio de acordo já está estabelecido. Eles estão a desenvolver um estudo económico que garante pequenos ítems que depois, na assinatura do contrato, vão constituir especificidades muito próprias. Mas estamos a falar de coisas menos relevantes. O que é relevante tem o princípio de acordo assinado pelas partes.

Parece-lhe adequado fazer um contrato deste tipo, a seis meses das eleições? Na entrevista de terça-feira, Pinto da Costa disse que, por exemplo, Sérgio Conceição não renovou porque ninguém o faz sem saber quem é que o vai dirigir na próxima época…

Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Uma coisa é um treinador que tem uma ligação afetiva. Outra coisa são investidores, que atuam a nível mundial, com enorme credibilidade e experiência, e que avaliam o negócio. O que pode perturbar, e eu não me referia a este caso, é a credibilidade que o F. C. Porto tem perante os seus financiadores. As contas do F. C. Porto são escrutinadas, mas a maior parte das vezes sem grande conhecimento. Diria que muito mais para procurarem tirar partido a nível da disputa eleitoral do que para fazerem uma análise construtiva do que está mal. Isto é de alguma forma fazer das contas uma guerra e pode, como disse, ser prejudicial.

Considera que há alguma campanha em curso para denegrir a administração da SAD do F. C. Porto?

Não sei se é campanha. Só posso falar por aquilo que leio nas redes sociais. O que leio é que há muita pressão nesse sentido, com a maior parte das coisas ditas de maneira incorreta e imprecisa. Se há uma intenção de dizer mal por dizer, não sei. Falo da realidade que tenho na frente, isto é, de um conjunto muito grande de afirmações que não são verdadeiras e que não têm em conta o que se passou. Nuns casos, admito que seja por ingenuidade, mas noutros não são inocentes. Temos uma Assembleia Geral na próxima semana e já veremos qual vai ser o comportamento dos associados.

Qual é a opinião que tem sobre os acontecimentos na Assembleia Geral Extraordinária do passado dia 13?

Não pode deixar de ser aquela que ficou expressa no comunicado do F. C. Porto, que eu subscrevi. Revejo-me nas posições do presidente. Foi uma coisa que não pode acontecer e esperemos que nunca mais aconteça no F. C. Porto.

É fundamental que Sérgio Conceição seja o treinador do F. C. Porto na próxima época?

Como disse, tudo o que é futebol é liderado pelo presidente. Com o nosso apoio, mas liderado por ele. Como sócio do F. C. Porto, tenho a opinião de que o Sérgio Conceição é um grande treinador, uma grande pessoa, e o F. C. Porto está muito feliz com o treinador que tem. Como membro da administração, acho que ele foi uma das coisas muito boas que nos aconteceram ao longo destes anos. Agora, cada um tem a sua responsabilidade. O presidente tem o pelouro da gestão do futebol e tem feito esse trabalho com muita sabedoria e muito bons resultados.

Há algum cenário que se possa colocar em que Fernando Gomes não esteja na lista que Pinto da Costa eventualmente irá apresentar na candidatura?

Claro que sim. Eu não vim para aqui toda a vida. Vim desempenhar uma determinada função, há alguns objetivos que são estes equilíbrios de que falei e a minha missão renova-se todos os dias. Mas não vim para ficar a minha vida inteira aqui. Podem ter a certeza disso.

Falou nas redes sociais e quem as acompanha constata que Fernando Gomes é muitas vezes considerado a cara do insucesso financeiro do F. C. Porto. Como lida com isso?

Sou o portador das más notícias e estou cá para aguentar. Quando há coisas más para dizer, que o resultado das contas é negativo, sou sempre eu que falo e que assumo a gestão. Esta é a minha especialidade e não me importo de dar a cara por isso. Mas, repito, não vou estar aqui até à morte. Não vou morrer no F. C. Porto, a não ser que alguma coisa má aconteça.

Pinto da Costa já falou consigo sobre a lista que poderá apresentar?

Claro que não. Ele ainda não disse que será candidato. Estamos a falar de eleições que serão em abril e ainda não chegámos ao fim deste ano, nem cumprimos os objetivos que o presidente quer ver resolvidos primeiro. Vamos cumprir esses objetivos, que consideramos básicos para se poder avançar, e depois cá estaremos para ver como vai ser o futuro.

Como interpreta a polémica relacionada com os prémios de 1,6 milhões de euros pagos à administração da SAD, num exercício que deu 47,6 milhões de prejuízo?

No início do exercício anterior, em agosto, não havia prejuízo nenhum. Os três pressupostos necessários ao pagamento dos prémios verificaram-se na época de 2021/22. No próximo ano, mesmo que o F. C. Porto vá à Liga dos Campeões e que tudo corra bem, não haverá prémios porque no exercício de 2022/23 tivemos resultados negativos. Mesmo que em dezembro esse resultado seja revertido, o que conta para análises são as contas de 30 de junho. Nem a administração vai receber prémios, nem os jogadores.

Na parte da remuneração fixa da SAD, os valores em causa são muito superiores aos que são pagos nos rivais do F. C. Porto…

Não sei. Aqui há total transparência. Acha que o presidente de um dos nossos rivais não ter ordenado durante anos é credível? As nossas contas são muitíssimo transparentes, não escondem rigorosamente nada do que acontece, são auditadas por gente do mais competente que pode haver. Se me convencerem de que as pessoas vão para presidente de um clube onde deixam a sua vida, estão ali a 100% de manhã à noite e ganham zero… Ou são muito ricos e não precisam daquilo para nada, estão ali por hobby, ou então não conseguem viver.

Considera que há diferenças na forma como se interpretam as contas do F. C. Porto e as dos rivais?

Se não contarmos com as mais-valias em transações de jogadores, podemos verificar quem tem as contas mais equilibradas. No exercício de 2022/23, o Sporting fez mais-valias de 89 milhões, o Benfica fez 63 milhões e o F. C. Porto fez 13. Sem isso, o F. C. Porto tem as contas equilibradas no que diz respeito a receitas e despesas. O Sporting tem um prejuízo de 10 milhões e o Benfica de 10,5 milhões. Mas o que eu leio nas redes sociais é que o F. C. Porto tem as piores contas do mundo. Se tivéssemos vendido um jogador por valores semelhantes aos que o Benfica vendeu, tínhamos um resultado positivo.

Fonte: jn.pt