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Fernando Gomes revela parceria com peso-pesado: “O FC Porto tem um acordo de confidencialidade…”

+FCPorto 3 meses ago

Num momento de intensa discussão sobre o estado financeiro do FC Porto e dúvidas dos associados em relação ao método escolhido para revertar a situação, Fernando Gomes vai ao limite do permitido contratualmente com os novos parceiros para, em entrevista a O JOGO, levantar um pouco o véu sobre o que está em cima da mesa.  

Um acordo de confidencialidade impede Fernando Gomes de revelar, por ora, o nome do futuro parceiro, que terá posição minoritária numa das empresas do grupo. A gestão, garante, será sempre dos dragões.

Qual é o plano da SAD para atingir a meta dos capitais próprios positivos, ou perto disso, como disse Pinto da Costa?

– Primeiro ponto: este prejuízo de 47 milhões de euros (M€) não é uma coisa que aconteça porque nos desregrámos ou deixámos de ter atenção e acordámos com ele. Foi uma opção estratégica, que tem a ver com a circunstância do Otávio valer 40 M€ até 15 de julho e 60 M€ depois disso. A venda por 40 M€ não ia resolver o nosso problema, porque o presidente tinha entendido que não se deveria vender nada até 30 de junho que não fosse o Otávio, e, a outra razão, é que esse dia deixou de ser para nós uma meta em termos de fair play financeiro. Este ano a UEFA definiu uma nova regra, em que 31 de dezembro será de avaliação dos capitais próprios negativos, sendo necessária uma melhoria de, pelo menos, 10 por cento.

Da SAD ou do consolidado do grupo?

-Será por via da SAD que isto acontecerá, mas depois vai refletir-se no consolidado. É este que conta.

E o que é que o FC Porto decidiu?

-Vender o Otávio para recuperar mais 20 M€, há também o aspeto positivo da participação na Liga dos Campeões – e esperamos conseguir chegar aos oitavos de final, porque isso é registado agora – e, depois, levanta-se ainda uma outra questão. Já estávamos a gizar um plano para conseguirmos que os capitais próprios deixassem de ser negativos ou, pelo menos, que se minimizasse este volume tão grande. Só um parêntesis: estes capitais próprios negativos estão assim por uma razão, que foi a de na época de 2019/20 termos decidido não vender ninguém na janela de verão para manter a equipa competitiva. O que é que aconteceu? Logo a seguir veio a covid-19, o FC Porto deixou de ter mercado e a transação de jogadores morreu durante um ano e tal. A percentagem de pessoas nos estádios baixou, porque só estavam as administrações e mais ninguém. Acresce que, ainda por cima, foi a época negra do FC Porto na Liga dos Campeões, que vai jogar com o Krasnodar na pré-eliminatória e acaba por ser eliminado em casa. Isto trouxe-nos 116 M€ de prejuízo nesse ano. Os capitais próprios estavam ligeiramente negativos, mas com os 116 M€ ficámos numa situação que, apesar de tudo, não teve consequências. Uma empresa não deve ter capitais próprios negativos, mas, para a atividade económica do FC Porto, isso não teve reflexo. Procurámos então reverter estas coisas, tendo resultados positivos e saindo do fair play financeiro.

Pode ser através da reavaliação dos jogadores?

-Recentemente, voltei a ver o Transfermarkt e os valores dos jogadores estão relativamente por baixo para aquilo que representa o nosso valor de venda. O plantel surge como 289 M€, enquanto que o FC Porto tem no balanço por 83 M€. Esta diferença de cerca de 210 M€ no ativo bastaria para termos capitais próprios positivos. Mas não é por aí, porque essa regra não é permitida pela UEFA. Na realidade, na essência económica, estes ativos valem muito mais do que aquilo que estão escriturados e, verdadeiramente, o FC Porto não tem capitais próprios negativos. Mas tem-no escrituralmente e isso é uma má imagem, porque significa que tem prejuízos acumulados, que nos foram comendo capital.

“As pessoas que estão no mundo do futebol sabem que os ativos [jogadores] são todos subavaliados”

Sentiu isso no acesso ao crédito, por exemplo?

-Não. Nenhuma empresa deixou de nos financiar por causa disso, nem nenhum “sponsor” deixou de colaborar com o FC Porto por causa disso. As pessoas que estão no mundo do futebol sabem que os ativos são todos subavaliados. Até hoje ainda não aconteceu.

Voltando então ao plano para a melhoria dos capitais próprios…

-Queremos injetar uma nova vitamina na atividade económica do FC Porto, de maneira saudável, e isso vai acontecer por duas vias. Primeiro: apresentado resultados positivos no final do primeiro semestre, a 31 de dezembro. Salvo qualquer cataclismo, vamos ter resultados positivos. Depois: uma operação, de grande envergadura, com um parceiro internacional, dos maiores neste setor, que neste momento gere parcerias comerciais dos principais pavilhões da NBA, em estádios de basebol e que também alguns dos maiores estádios em Inglaterra.

Está a falar da Legends, que fechou um acordo de 360 M€ com o Real Madrid?

-A Legends é uma delas, mas não é essa que está neste momento em causa. É uma empresa do mesmo universo, que tem uma outra finalidade. Um peso-pesado. Só que o FC Porto tem um acordo de confidencialidade assinado com eles até ao princípio do próximo ano, porque há um estudo de viabilidade económica que estamos a implementar em conjunto. Até estar totalmente feito, apresentado e publicado, não podemos dizer o nome da empresa.

“A responsabilidade de gerir a Porto Comercial continuará a ser nossa, mas eles entram minoritariamente”

Que papel desempenhará essa empresa?

-Vai permitir-nos fazer uma parceria em toda a área comercial do FC Porto, tirando partido da utilização do estádio e da marca, em que eles entram com o seu grande “know how” internacional, porque são pessoas do mundo e não só da Europa. A responsabilidade de gerir a Porto Comercial continuará a ser nossa, mas eles entram minoritariamente. Para isso, fazem duas contribuições: o seu “know how” e partilham connosco a responsabilidade de gestão dessas áreas de publicidade, entrando com uma parte líquida que irá melhorar, com certeza, a situação financeira, os capitais próprios e, depois, o negócio em si, com a reavaliação desses valores.

“Vamos dar um pontapé nos capitais próprios negativos. Estamos relativamente tranquilos em relação a isso e aos lucros no final do ano”

Quanto é que vale a cedência destes direitos?

-Tem um valor, que está admitido entre nós, mas que não posso revelar. Posso é dizer que, tanto quanto nós pensamos e se as coisas continuarem a correr como prevemos, vamos conseguir dar um pontapé nos capitais próprios negativos. Estamos relativamente tranquilos em relação a isso e aos lucros no final do ano.

Fonte: ojogo.pt