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O crescimento e os sacrifícios de João Mendes: «Fazia uma hora de mota para treinar»

+FCPorto 3 meses ago

«O João Mendes faz parte do grupo profissional do FC Porto, tem feito um trabalho muito bom na equipa B e o resultado é este. Os jovens que chegam à equipa principal chegam numa forma que é fácil trabalhá-los. Ele fez a pré-época e hoje achei que era importante ele jogar, como o Jorge Sánchez, em função das dificuldades de Zaidu e João Mário.»

Aos 23 anos, o português vai tentando ganhar espaço na equipa principal do clube onde chegou em 2021/2022, proveniente do Vitória SC B. Para tentar conhecer melhor o perfil do defesa, o zerozero percorreu os registos históricos e foi ao encontro de Hugo Neto, antigo treinador no FC Penafiel, que nos falou um bocado sobre o português.

Natural de Marco de Canaveses, João Mendes começou a dar os primeiros pontapés numa bola no Académico Amarante Sport Clube, onde ficou até 2013, altura em que se transferiu para a AD Marco 09. No emblema da terra, no entanto, não ia ficar muito tempo, pois assinou pelo FC Penafiel na temporada 2014/2015. Começou no escalão sub-15, chegou aos sub-17, sub-19 e terminou a passagem nos durienses na equipa B, onde encontrou Hugo Neto.

«Na altura, o FC Penafiel B estava a disputar a Divisão de Elite, a prova distrital mais competitiva no que diz respeito ao distrito do Porto. A meio da temporada, ele começou a integrar os trabalhos da nossa equipa até ser opção regular. Era júnior de primeiro ano e jogava contra a atletas muito mais velhos. Nunca acusou o nervosismo e deu conta do recado.»

Nunca virou a cara à luta e arranjou sempre soluções para o que lhe propuseram. Foi assim que Hugo Neto falou do seu antigo jogador, que fazia «quase uma hora mota todos os dias para poder ir treinar». «Demonstrou que sabia sair de situações de aperto e isso alastrou-se para dentro de campo. Ouvia, nunca baixava a cabeça e estava sempre disponível para o que fosse preciso. Além disso, era muito inteligente no que diz respeito a olhar à sua volta e perceber os passos que tinha de dar. Tinha pilhas para jogar a partida inteira »

Depois, era altura de dar o próximo passo no crescimento enquanto jogador. Apareceu o Vitória SC, que estava a consolidar a equipa sub23 na Liga Revelação. Com o objetivo de se aproximar dos maiores emblemas portugueses, os vitorianos deram especial atenção aos escalões jovens, onde estiveram Tomás Handel, Luís Esteves, Théo Fonseca ou Gui Guedes, alguns dos atletas nos principais escalões do futebol português.

Após 34 jogos nos sub-19, João Mendes dividiu as presenças entre o conjunto secundário e os sub23, antes de se transferir para o FC Porto, com quem tem contrato até junho de 2024. Era altura do maior desafio na carreira e logo na equipa que queria reconquistar o título de campeão em 2021. [n.d.r João Mendes chegou ao Dragão numa «troca» de jogadores: Rafael Pereira foi para o Vitória SC, enquanto João Mendes realizou o caminho inverso].

Frequentemente chamado aos treinos de Sérgio Conceição, o lateral recebeu a recompensa na Taça da Liga, diante do Rio Ave, a 3 de outubro de 2021. Fez dez minutos e, a partir daí, foi escrevendo o seu nome nos livros azuis e brancos, mas com regularidade na equipa B.

Após algumas lesões de Zaidu e Wendell, assim como algumas adaptações a lateral esquerdo, Sérgio Conceição confiou em João Mendes, algo que o antigo técnico do FC Penafiel viu com naturalidade. «Pelo que observo, o mister dá oportunidades durante a semana e não ao fim-de-semana. Se ele continuar a trabalhar como tem feito, vai estar mais próximo de ser ele e mais dez. O treinador do FC Porto faz com que os jogadores pensem que não têm lugar cativo, portanto têm que trabalhar arduamente para conquistar o lugar.»

Em janeiro, o FC Porto vai ter algumas baixas para a CAN, uma delas sendo Zaidu Sanusi, pela Nigéria. Restam João Mendes e Wendell. Teremos ida ao mercado de transferências de inverno? Não temos resposta para esta pergunta, mas Hugo Neto perspetivou o futuro do lateral.

«Mais do que sonhar, tem de continuar com os pés na terra. Pode seguir, por exemplo, o caminho do Nuno Mendes, que era um desconhecido e, em pouco tempo, atingiu outro patamar. Acima de tudo, tem de trabalhar para não perder o comboio, caso contrário, fica na estação.»

Fonte: zerozero.pt