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Shakhtar aposta nos jovens para ultrapassar conflito: ″Sudakov é o maior talento que treinei″

+FCPorto 5 meses ago

Atualmente na Indonésia, Fernando Valente identifica Sudakov como a principal joia do Shakhtar e da seleção da Ucrânia. “Está na lista dos grandes clubes”, garante a O JOGO o técnico de 64 anos.

Fernando Valente, agora a treinar o Arema, da Indonésia, passou dois anos e meio a trabalhar na Ucrânia e no clube que esta terça-feira defronta o FC Porto na Liga dos Campeões. O treinador desempenhou funções na academia do Shakhtar Donetsk, tendo como responsabilidade alimentar a equipa que emergiu como solução em tempos de guerra.

Muitos dos craques que hoje despontam no primeiro adversário dos dragões na Champions evoluíram com Valente, de 64 anos, que é, assim, um perfeito analista deste confronto que levará os azuis e brancos a Hamburgo para medir forças com o campeão ucraniano. “A guerra trouxe grandes mudanças e adaptações. Foram embora estrangeiros de grande qualidade; era a equipa do toque brasileiro. Mas, não obstante, mantiveram uma dinâmica de grande clube, recrutando jovens ucranianos noutras equipas. E mostram ser jogadores de muito talento. Talvez não tivessem espaço se não tivesse surgido esta guerra”, reflete Fernando Valente, que nunca escondeu um sofrimento carregado de angústias pela invasão de Putin, marcado por afetos impossíveis de desatar. “É uma equipa que marca a diferença. Teve capacidade de se reajustar com uma grande geração. Vamos vendo muitos jovens a crescer, e que vão impressionar a Europa”, afiança.

Entre os que trabalharam consigo, entre 2019 e 2021, Fernando Valente identifica com particular ênfase Sudakov, médio-ofensivo de 21 anos, já nove vezes internacional. “Há vários que conheço bem. Já não falando do Mudryk, que seguiu o seu caminho. Destaco o Sudakov, o maior talento que já treinei. Acho que já está na lista dos grandes clubes. Têm o Bondarenko, homem do jogo na casa do Real Madrid, que tem muita classe e uma visão de jogo fantástica. Pode seguir outro rumo”, expressa.

A lista, porém, não se fica por aqui, já que o trabalho realizado no emblema de Donetsk permitiu encontrar outros valores. “Posso falar do Dmytro Kryskiv, um médio excelente que foi meu capitão, muito consistente, já transformado em internacional. Não teve espaço há uns anos, por causa dos brasileiros, voltou e tem singrado, nomeado várias vezes homem do jogo. Acrescento o avançado Bogdan Vyunnik, um ala que transformei em ponta-de-lança. Está a marcar presença na equipa e tem grande margem de crescimento. E há um mais jovem, o Ocheretko, que será médio de seleção. Aponto ainda o central Kozik, um defesa muito concentrado que tem estado em foco”, desfia Fernando Valente.

“Era preciso viver, mesmo num cenário dantesco”

O técnico português não esquece as primeiras imagens da guerra e o horror pelo qual passaram estes atletas, emocionando-se algumas vezes com vídeos que lhe chegavam de bunkers e outros esconderijos. “A guerra foi muito complicada. Deixou muita indefinição no ar, problemas familiares, mas o clube deu grande apoio a todos. Houve uma reação e uma mensagem do país de que era preciso continuar a viver, mesmo num cenário dantesco. Há marcas que ficaram, mas hoje estão todos bem!”, afiança o português. “Estão bem protegidos e resguardados pelo clube e podem prolongar a carreira. Viveram uma insegurança grande e ainda vivem uma grande incerteza. Não merecem passar por isto, mas têm superado tempos muito difíceis pela resiliência”, nota o treinador.

Face ao que o povo ucraniano tem passado, Valente alerta o FC Porto para o caráter e a coragem do Shakhtar, que resultará num inevitável arregaçar das mangas. “Qualquer evento fora do país, nesta altura, serve para apelar à paz e ajuda internacional. Há uma sensibilização em curso, mas também sabem que, por mais ajudas que cheguem, não há fim à vista do conflito”, lamenta. “É uma equipa forte e tem um comandante identificado com o clube, que foi diretor da academia. A superação estará presente. É mais uma oportunidade para a Europa estar atenta ao que se passa e para estes jogadores lutarem pelas suas carreiras”, revela. “Mesmo não lutando com as mesmas armas dos rivais, vão sempre causar problemas”, evidencia.

Fonte: ojogo.pt